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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Condenado por Moro, Lula ainda pode ser candidato em 2018


O ex-presidente Lula faz discurso na praça Santos Andrade, que reúne militantes favoráveis a ele, no centro de Curitiba (Paulo Whitaker/Reuters)
Além de não mandá-lo automaticamente para a prisão, a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz federal Sergio Moro, nesta quarta-feira, não tira o petista da disputa da eleição presidencial de 2018. Como Moro é um juiz de primeira instância, sua decisão não basta para que a candidatura de Lula seja barrada pela Lei da Ficha Limpa, que incide sobre candidatos condenados a partir da segunda instância.
A decisão de manter ou não Lula na disputa ao Palácio do Planalto, cujas intenções de voto ele lidera, está, portanto, nas mãos da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), composta pelos desembargadores João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Laus, os responsáveis por revisar as decisões de Moro.

Não se sabe quando a defesa do ex-presidente vai apelar da sentença de Sergio Moro, nem quando o magistrado enviará os autos do processo contra Lula ao TRF4, mas, considerando a média de um ano, um mês e 15 dias de decisão dos desembargadores a partir das remessas da primeira instância, é possível que o julgamento na segunda instância se dê às vésperas ou em meio à campanha eleitoral de 2018.

Sobre a possibilidade de o petista ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, o especialista em direito eleitoral Alberto Rollo diz que, “a partir do momento em que houver a condenação [na segunda instância], Lula estará inelegível”.

Rollo pondera, contudo, que a possível condenação no TRF4 não afastará o ex-presidente imediatamente da disputa se o registro de sua candidatura já tiver sido permitido em definitivo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste cenário, apenas um processo de “inelegibilidade superveniente”, que costuma ser alongado, poderia afetar a candidatura de Lula. Caso o petista seja condenado antes da aprovação do registro no TSE, sua defesa ainda poderia entrar com embargos de declaração, um tipo de recurso, para estender o julgamento.

Interdição a funções públicas

Na sentença em que condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão, Sergio Moro também determinou a “interdição para o exercício de cargo ou função pública” do ex-presidente e do empreiteiro Léo Pinheiro por 19 anos. A medida imposta por Moro não afeta, contudo, os direitos políticos do petista e a possibilidade de uma candidatura dele.

O advogado criminalista Gustavo Badaró afirma que a eficácia da interdição será suspensa a partir do recurso da defesa de Lula ao TRF4 e, assim como a pena determinada por Moro, só entrará em vigor caso a segunda instância a confirme. Neste caso, Lula se tornaria inelegível pela Lei da Ficha Limpa, poderia ser preso e estaria afastado das funções públicas pelo período estipulado pelo magistrado.

“[A medida] não inclui a questão do mandato eletivo. Lula não poderia, por essa restrição, por exemplo, exercer a função de ministro ou prestar concurso público, mas se candidatar ele pode”, explica Badaró.

Do Veja.com

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Se não mudar a agenda, Michel Temer desembarca em Caruaru nesta sexta-feira (9)

O presidente Michel Temer (PMDB) agendou para a sexta-feira (9) uma visita ao principal novo reduto tucano no interior do Nordeste: Caruaru, no Agreste de Pernambuco.
Se confirmada, será a primeira visita à região e a agenda incluiria também Fortaleza, no Ceará. Apesar do ápice da crise política e dos rumores de cancelamento da viagem, a agenda ainda é considerada mantida nesta quarta (7) por auxiliares do presidente em Pernambuco – Temer conta com quatro ministros pernambucanos na equipe. Caruaru simboliza a principal vitória tucana no interior da região nas eleições 2016, com a prefeita eleita Raquel Lyra, filha do ex-governador João Lyra, também tucano.

Em Pernambuco, o PSDB cogita disputar uma vaga para o Senado e até mesmo a cadeira de governador, em 2018, com o ministro das Cidades, o tucano Bruno Araújo. E Caruaru é considerada a principal vitrine do desempenho eleitoral tucano, embora Raquel Lyra e seu pai, João Lyra, tenham se filiado ao partido em abril, depois de serem praticamente “expulsos” do PSB do governador Paulo Câmara.

Em 14 de junho, em meio ao impeachment, Temer chegou a agendar para aquela data o que seria a sua primeira visita ao Nordeste, como uma tentativa de reverter a forte impopularidade no principal reduto petista do País. Na época ele iria ao sertão pernambucano, visitar a transposição do Rio São Francisco.

Com a ida a Caruaru, Temer faria um gesto para Bruno Araújo, para o PSDB e também para a família Lyra, que prometem ter um papel renovado nas eleições 2018 em Pernambuco. Tanto que os tucanos, após terem os cargos no governo estadual pedidos de volta por Paulo Câmara, já são cortejados novamente pelo PSB.

Do Jornal de Caruaru